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(continuação da página 1) 10. A benevolência do banqueiro
-"Como poderemos nós pagar 1080
dollars,, quando não há mais do que 1000 dollars em ciculaçào?" É o juro meus caros senhores, responde o
banqueiro. Não aumentou a vossa produção? pergunta Martinho. -"Sim
aumentou, mas o dinheiro não aumentou. Ora
é justamente o dinheiro que vos reclamais e não os produtos. Como é
que vós, a única pessoa que pode fazer dinheiro, fizesteis 1000
dollars e nos pedis 1080 dollars. Isso
é impossível!"
-"Um momento meus senhores, os banqueiros adaptam-se sempre às condições, para o bem estar público... Eu vou pedir-vos unicamente o pagamento dos juros. Nada mais do que 80 dollars. Vós continuarais a guardar o capital." -"Vó
nos perdoais a dívida?"
-"Não.
Eu lamento, mas um banqueiro não perdoa nunca uma dívida. Vós
deveisme todavia todo o dinheiro emprestado. Mas vás não haveis a
reembolsar-me que o juro cada ano, eu não vos exigirei o pagamento do
capital. Alguns de vós, poderão vir a ser incapazes de pagar mesmo os
juros, uma vez que o dinheiro vai de um a outro. Organizai-vos em nação,
convenei a um sistêma de colecta, de contribuição. Quer isto dizer, taxar. Vós
taxareis mais aqueles que tiverem mais dinheiro, menos os outros.
Contanto que me tragam colectivamente o total dos uros, ficarei
satisfeito e vossa nação renderá muito."
Nossa gente retira-se, meio-calma meio-pensativa. 11. A extase de Martinho
"O
meu plano é bom. Gente trabalhadora, mas ignorante. A sua Ignorância e
a sua crédulidade fazem a minha força. Eles queriam dinheiro e eu
meti-lhes as correntes, o cativeiro. Cobrirarn-me de flôres enquanto eu
os enrolava. "Oh!
grande ‘Mammom’, eu presinto o teu génio de banqueiro amparar-se do
meu ser. Tu bem o dissete, ilustre mestre: ‘ue me concedam o controle
do dinheiro de uma nação que eu estou me nas tintas de quem faz as
suas leis.’ Sou o mestre da Ilha dos Náufragos, porque controlo o seu
sistema monetário. "Eu
poderia controlar o universo. O que eu faço aqui, eu Martinho, poderei
fazê-lo no mundo inteiro. Se um dia sair desta lihota: saberei como
controlar o mundo sem ter ceptro. "Minha
voluptuosidade soberana seria a de espalhar minha filosofia pela cabeça
dos cristãos: banqueiros, chefes de indústrias, políticos, médicos,
professores, jornalistas,, eles seriam meus criados. A massa cristã se
embala melhor na sua escravidão, quando seus capatazes são eles mesmos
cristãos."
E toda a estrutura do sistema bancário
Mammoniano se desenha no espírito encantado de Martinho. 12. Crise de vida cara
Aqueles
que pagam taxas mais altas queixam-se dos que pagam menos, e em compensação
aumentam o preço de seus produtos. Os mais pobres, os que não pagam
taxas, queixain-se por sua parte da carestia da vida e compram menos. O
moral baixa e a alegria de viver abandona-os. Trabalha-se sem convicção.
O quê de bom? Os produtos vendem-se mal; e quando eles se vendem é
preciso, pagar a taxa a Martinho. A gente priva-se. É a crise. E cada
um acusa o seu vizinho de falta de virtude e de ser a causa do alto
custo de vida. Um
dia a sós no meio do seu pomar, Henrique concluiu, que o "progresso"
trazido pelo sistema monetário do banqueiro estragou tudo o que era bom
na ilha. Concerteza, os cinco homens hão os seus defeitos; mas o
sistema de Martinho alimenta tudo o que há de mais ignóbil na natureza
humana. Henrique
decide de convencer e juntar os seus companheiros para uma reuniâo. Que
depressa se faz. Começa por Tiago: "Ah! diz Tiago, eu não sou sábio.
mas ja há muito tempo que sinto, que o sistema deste banqueiro, é mais
nojento que a bosta no meu estábulo, na primaveral!" Aplaudindo um após outro, uma nova entrevista com Martinho ficou assim decidida. 13. Em casa do autor do cativeiro
-"O dinheiro é escasso na ilha por que vós o tirais de circulação.
Nós
vos pagamos e pagamos, e vos devemos ainda o mesmo montante que no início.
Nós trabalhamos, construímos belas quintas, e eis nos em bem pior
situação que à vossa chegada. Dívida! Dívida! Dívida pelas costas!"
-"Vamos
lá meus amigos, raciocinemos um pouco. Se vossas terras estão mais
bonitas, é graças a mim. Um bom sistema bancário, é o mais belo activo dum país.
Mas
para profitar dele, é preciso guardar antes de mais nada toda a confiança
no banqueiro. Vinde
a mim como a um pai... Vás quereis mais dinheiro? Muito bem. O
meu barril d'ouro vale bem muitas vezes mil dollars... Olhai! eu vou
hipotecar de novo vossas propriedades e vous emprestar em seguida outro
milhar de dollars."
-"Duas
vezes mais em dívida? Duas vezes mais juros a pagar todos os anos, sem
fim?"
-"Sim,
mas eu vos emprestarei ainda mais, contanto que vos aumentareis o vosso
valor predial; e vós não me devolvereis nada mais que o juro. Vás
empilhareis os empréstimos; charmareis a isto dívida consolidada. Dívida
que poderá aumentar anualmente. Mas vosso rendimento também. Graças ao meu
financiamento, vós desenvolvereis a vossa nação." -"Então
nesse caso, quanto mais fizermos, prosperar a ilha, mais a nossa dívida
global aumentará?"
-"Como em todo o país civilizado. A dívida pública é um barómetro da prosperidade." 14. O lobo come os carneiros
-"Meus Senhores, toda a moeda validá, deve ser baseada em ouro, e
sair do banco em dívida. A dívida nacional é uma coisa boa: Ela
coloca os governos sob a sabedoria sadia dos banqueiros. A
título de banqueiro, sou uma chama de civilização na vossa ilha."
-"Senhor
Martinho, nós podemos ser uns ignorantes mas nos não queremos essa
civilização aqui Nós não pediremos mais um cêntimo emprestado.
Moeda válida ou não, nós não faremos mais negócios consigo."
-"Eu
lamento essa vossa decisão precipitada, caros Senhores. Se vás
romperdes vossos compromissos comigo, eu tenho as vossas assinaturas.
Devolvei-me tudo imediatamente: juros e capital."
-"Mas isso é impossível, senhor Martinho. Mesmo
se vos devolvermos todo o dinheiro existente nã ilha não ficaremos
quites."
-"Não quero saber. Vocês assinaram? sim ou não? Sim? Ah! bem, então em virtude da santidade dos contratos, eu confiscarei todas as vossas propriedades em penhor tal como convenído entre nós, quando vocês estavam contentes de me terem entre vós. Vós não quereis servir de bom grado a potência suprema do dinheiro, vos a servireis a força. Vós continureis a explorar a ilha, mas para mim e segundo as minhas condições. Ide embora, que eu amanhã vos ditarei as ordens." 15. O controlo dos jornais
Martinho
notou que entre os cinco insulares, dois são conservadores e três são
liberais. Isto transpareceu quando das conversas entre os cinco,
sobretudo quando eles se tomaram seus escravos. O rebuliço entre azuis e vermelhos. De
tempos a tempo Henrique menos partidário, sugere uma força no povo
para fazer pressão sobre os govemantes... Força perigosa para toda a
ditadura. Martinho, vai aplicar-se a envenenar o mais possível as discórdias
políticas. Servindo-se
de sua impressora faz aparecer dois folhetins semanários: "O
sol", para os vermelhos "A Estrela" para os azuis. "O
Sol" transcreve: Se vás não sois mais mestres em vossas casas é
por causa dos atrasados dos azuis, sempre agarrados a seus interesses. "A
Estrela" transcreve: Vossa dívida nacional e obra dos malditos
vermelhos, sempre prestes a aventuras políticas. Os nossos dois grupos políticos guerreiam-se a altos gritos, esquecendo-se do verdadeiro causador do cativeiro, o fiscal do dinheiro, Martinho. 16. Os destroços de um bote salva-vidas
Abrindo a caixa: descobre alem de roupa e
algumas outras miudezas um livro-album em bom estado que desperta a sua
atenção. O
livro tem por titulo: O
Primero Ano de "Vers Demain" (Michael Journal) Curioso,
nosso Tomás assenta-se e abre o volume. Lê-o. Devora-o. Ilumina-se: "Mas
eis aqui o que deveríamos ter sabido à muito tempo. "O
dinheiro não tira o seu valor do ouro de maneira nenhuma, mas dos
produtos que o dinheiro compra. "O
dinheiro pode ser uma simples contabilidade, os créditos passam de uma
conta a outra segundo as compras e vendas. O total do dinheiro em relação
ao total da produção. "A
todo o aumento de produção, deve corresponder um aumento equivalente
de dinheiro... Nunca juros a pagar sobre o dinheiro nascente... O
progresso representa não uma dívida pública mas um dividendo igual a
cada um... Os
preços, ajustados ao poder de compra por um coeficiente de preços. O
Crédito Social..."
Tomás não aguenta mais e corre, com o livro na mão, compartilhar sua esplêndida descoberta com os quatro companheiros. 17. O dinheiro, simples contabilidade
"Eis
aqui, o que poderíamos ter feito, sem o banqueiro, sem ouro, sem
assinar alguma dívida. "Eu
abro uma Conta no nome de cada um de vós. À direita, os créditos, o
que acrescenta à conta; à esquerda, os débitos, o que a diminui. "Nós
queríamos para começar, 200 dollars. Num acordo comum, decidemos
marcar 200 dollars ao crédito de cada um. Cada um recebe logo 200
dollars. "Francisco compra artigos a Paulo, por
10 dollars. Eu subtraio 10 dollars a Francisco, restam-lhe 190 dollars.
A Paulo acrescento-lhe 10 dollars, ele tem agora 210 dollars. "Tiago faz compras a Paulo no valor de 8
dollars. Eu suprimo 8 dollars de sua conta ele guarda 192 dollars.
Paulo, ele aumenta a 218. "Paulo compra madeira do Francisco por 15
dollares. Eu subtraio 15 dollars a Paulo, ele guarda 203 dollars, eu
adiciono 15 dollars a Francisco, sua conta sobe 205 dollars. "E
por aí fora; duma conta à outra, tudo como notas vão de um bolso a
outro. "Se
um de nós tem necessidade de dinheiro para aumentar a sua produção,
abre-selhe o crédito necessário, sem juro. Ele reembolsa o crédito
uma vez a produção vendida. Mesma coisa para os trabalhos públicos. "Aumenta-se assim, periodicamente, as contas de cada um de soma adicional, sem nada tirar a ninguem. Em correspodência ao progresso social, o dividendo nacional. O dinheiro é assim um instrumento de serviço." 18. O desespero do banqueiro
"Caro Senhor, vós nos endividaste e
exploraste, sem nenhuma necessidade. Nós não precisaremos mais de vós
para regir nosso sistêma monetário. Nós de agora em diante teremos
todo o dinheiro necessário, sem ouro, sem dívida, sem ladrão. Nós
iremos establecer imediatamente na Ilha dos Náufragos o sistema do Crédito
Social. O dividendo nacional substituirá a dívida nacional. "Se vós,estais interessado no
reembolsmento do vosso dinheiro, nós poderemos vos devolver todo o
dinheiro que vós fizeste para nós, nada mais. Vós não podeis
reclamar aquilo que vós não fizeste." Martinho
esta desesperado. É o seu empério que se desmorona. Para os cinco
habitantes tornados créditistas, já não há mais mistério sobre o
dinheiro ou sobre crédito para eles. "Que fazer? Pedir-lhes perdão, transformar-se num deles? Eu banqueiro, fazer isso?... Não. Eu vou antes passar sem eles e viver à parte." 19. A intrujice desmascarada
Donde
o inventário geral: O bote, a pequena máquina impressora, e o famoso
barril de ouro. Foi
preciso que Martinho indicasse o lugar, e a gente desenterra o barril. Nossos
homens tiram-no do buraco com muito menos cuidado desta vez. O Crédito
Social ensinou-os a desprezar o feitiço do ouro. O
prospector, ao levantar o barril, apercebe-se que para ouro não pese
assim muito: "Eu duvido muito que este barril esteja cheio d'ouro",
diz ele. O impetuoso Francisco, não hesita muito tempo. Uma machadada e o barril
espalha o seu conteúdo: ouro, nem uma grama! Pedras,
nada mais do que simples calhaus sem valor!... Nossos
homens ficam pasmados: -"Dizer
que ele nos mistificou a esse ponto, o miserável' Era preciso ser parvo,
tambem, para cair em êxtase perante a palavra OURO!"
-"Dizer
que nós lhe havíamos confiado todas as nossas propriedades por pedaços
de papel baseados sobre quatro pazadas de pedras! Ladrão e Mentiroso!" -"Dizer
que nós, nos mostramos enfadados e odiado uns aos outros durante mêses
a fio por semelhante intrujice! O demónio!" Mal o Francisco havia levantado o machado, já o banqeiro fugia a sete pernas para a floresta.
Da parábola à realidade O sistema de dinheiro-divida
O sistema de dinheiro-dívida, introduzido
por Martinho na Ilha dos Náufragos, fazia a pequena comunidade se
endividar financeiramente, à medida que, pelo seu trabalho, ela
desenvolvia e enriquecia a ilha. Não
é exactamente o que se vê nos países desenvolvidos? O
Canada actual é certamente mais rico de riquezas reais, que há 50 anos,
100 anos, ou quão do tempo dos pioneiros. Ora, comparai a dívida pública,
a soma de todas as dívidas publicas no Canada de hoje, com o que era
esta. soma há 50 anos, 100 anos, ou há três séculos! Foi
contudo a população canadiana, ela própria que ao correr dos anos, há
produzido o enriquecimento. Porquê então, a manter endividada pelo
resultado seu trabalho?
É
portanto bem a população, no seu conjunto, que, pelo seu trabalho em
diversas formas, produz todas essas riquezas. Se ela faz vir certas
coisas do estrangeiro, é em contrapartida do fruto dos produtos que ela
própria fornece ao estrangeiro. Ora
que se constata? Por tudo se taxa o cidadão: para pagar as escolas; os
hospitais; as pontes; as estradas e outros trabalhos públicos. Faz-se
portanto pagar à população, colectivamente, o que, colectivamente,
ela própria há produzido. Pagar mais caro que o preço E isso não fica por aí. Faz-se
a população pagar mais caro que o preço a que ela própria produz.
Esta produção, um enriquecimento real, torna-se para ela uma dívida
sobrecarreg-ada de juros. Com o passar dos anos, a soma dos juros pode
igualar, ou mesmo ultrapassar, o montante da dívida imposta pelo
sistema. Acontece que se faz assim pagar à população duas vezes, três
vezes, o preço de produção. Além
das dívidas públicas, há tambern as dívidas industriais, tambem elas
sobrecarregadas de juros. Elas forçam o industrial, o empreendedor, a
aumentar seus preços acima do custo de produção, para poder
reembolsar capital e juros, sem os quais faria bancarrota. Dívidas
públicas ou dívidas industriais, é sempre a populaçao que deve pagar
tudo isto ao sistema financeiro. Pagar em taxas quando se trata de dívidas
públicas; pagar em preço quando se trata de dívidas industriais. Os
Preços encarecem enquanto que as taxas emagrecem o porta-moedas. Sistema tirãnico Tudo
isto e bem outras coisas indicam bem um sistema de dinheiro, um sistema
finançeiro, que ordena em lugar de servir, e que tem a população sob
sua dominação - como Martinho tinha a gente da Ilha sob sua dominação
até que eles se revoltaram. E
se os controladores do dinheiro se recusam a emprestar, ou se eles propõem
condições dificeis demais aos corpos púbicos ou industriais, que
acontece? Acontece que os corpos públlicos renunciam a projectos que são
no entanto urgentes; Acontece que os industriais renunciam a pesquisas
ou a produções que responderiam no entanto a necessidades. E isto causa desemprego. Para impedir que os desempregados
sucumbam, é preciso taxar aqueles que têm ainda qualquer coisa ou que
ganham todavia um salário. Pode-se
imaginar um sistema tão tirânico, cujas malícias se fazem sentir a
uma populacão enterra? Obstáculo a distribuição E isto não é tudo. Além
de endividar a produção que ele finançia, ou de paralizar aquela que
ele se recusa de financiar, o sistema de dinheiro é um mau instrumento
financeiro de distribuição dos produtos. A
gente regala-se de ter lojas e armazens cheios, a gente regala-se de
saber o que é preciso para uma produção ainda mais abundante, mas a
distribuição dos produtos é racionada. Para
obter os produtos, com efeito, é preciso paga-los. Perante uma tal
abundância em produtos, é preciso dinheiro em abundância nas
carteiras. Tal
não é o caso. O sistema põe sempre maior o preço dos produtos, que
dinheiro há nos porta-moedas do público, que tem necessidade desses
produtos. A
capacidade de pagar não é equivalente à capacidade de produção. A
finança esta fora da realidade. A realidade, são os produtos
abundantes, e fáceis de fazer. A finança é o dinheiro racionado e
dificil de obter. Corrigir o que é corrupto O sistema de dinheiro actual, é portanto um
sistema punitivo, em lugar de ser um sistema ao serviço. Isto não quer dizer que é preciso suprimi-lo, mas sim corrigi-lo. Será isso que fará magnifcamente a aplicação dos princcípios financeiros, conhecido sob o nome de Crédito Social. ( não confundir com o partido político que toma falsamente este nome). O Crédito Social O dinheiro deve refletir a realidad O
dinheiro de Martinho, na Ilha dos Náufragos, não teria qualquer valor
se não houvera algum produto na ilha. Mesmo se o seu barril estivesse
realmente cheio d'ouro, que poderia este ouro comprar numa ilha sem
produtos? Ouro ou papel-moeda, não importa quais montantes ou numeros
nos livros de Martinho não teriam podido nutrir ninguem, se não
houvesse produtos alimentares. O mesmo para os vestimentos, ou para o
resto. Mas
havia produtos na ilha, estas mercadorias provinham dos recursos
naturais da ilha e do trabalho da pequena comunidade. Esta riqueza real,
era simplesmente ela que dava o valor ao dinheiro, era propriedade dos
habitantes da ilha, e não propriedade exclusiva do banqueiro Martinho. Martinho
endívidava-os por aquilo que lhes pertencia. Eles
compreenderam-no quando souberam sobre o Crédito Social. Eles
compreenderam que todo o crédito fi- nanceiro, é baseado sobre o crédito
da sociedade ela própria, e não sobre operações bancárias. Que o
dinheiro deveria portanto ser sua propriedade, ao momento que ele começava;
portanto, lhe ser entregue, dividido entre eles, prestes a passar de mão
em mão, segundo o vai-e-vem da produção de ums e de outros. A
questão do dinheiro tornava-se então para eles, o que essencialmente
ela é, uma questão de contabilidade. A
primeira coisa que se exige duma contabilidade é a de ser exacta,
conforme à produção ou a destruição da riqueza: produção
abundante, dinheiro abundante; produção fácil, dinheiro fácil-,
produção automática, dinheiro automático; gratuidades na produção,
gratuidades no dinheiro. Dinheiro por produção O dinheiro deve estar ao serviço dos
produtores, à medida que estes têm necessidade de mobilizar os meios
de produção. É possível, visto que foi isso que se fez,
dum dia para o outro, quando a guerra foi declarada em 1939. O dinheiro
que faltava por todo o lado, há dez anos, veio de repente, e durante os
seis anos da guerra, não houve nenhum problema de dinheiro para
financiar toda a produção possível e requerida. O dinheiro pode pois ser, e deve estar ao
serviço da produção pública ou da produção privada, com a mesma
fidelidade, que ele esteve ao serviço da produção de guerra Tudo o
que é fisicamente possível para responder as necessidades legítimas
da população deve fazer-se financeiramente possível. Seria o fim dos pesadelos da função pública.
E seria o fim do desemprego e das privações, na medida em que há
tanto a fazer, para responder às necessidades, públicas e privadas, da
população. Todos capitalistas, dividendos
a cada um O Crédito Social preconiza a distribuição
dum dividendo periódico a todos. Digamos: um montante pago cada mês a
toda a gente independentmente de seu emprego; assim como o dividendo
pago ao capitalista, mesmo quando ele não trabalha pessoalmente. Reconhece-se que o capitalista tem dinheiro,
aquele que investe dinheiro numa empresa, tem direito a uma renda do seu
capital, renda que se chama dividendo. São outros, os indivíduos que
empregam este capital, esses são recompensados por isso, em salários. Mas o capitalista tira uma renda pela unica
presença do seu capital na empresa. Se ele próprio trabalhar, ele
tirará então duas rendas: um salário pelo seu trabalho e um dividendo
pelo seu capital investido. Pois bem, o Crédito Social considera que
todos os membros da sociedade são capitalistas. Todos possédem em
comum um capital real que contribui. muito mais à produção moderna
que o capital-dinheiro ou que o trabalho indivídual dos empregados. Qual é o capital comunitário? Hà em primeiro os recursos naturais do país,
que não foram produzidos por ninguém, que são uma gratuitidade de
Deus àqueles que habitam o país. Depois hã a soma das habilitações, das
invenções, das descobertas, do aperfeiçoamento às técnicas de produção,
de todo este progresso adquerido, acumulado, aumentado e transmitido
duma geração à outra. É uma herança comum, ganha pelas gerações
passadas, que nossa geração, aumenta ainda mais para a passar à
proxima. Não é propriedade exclusiva de ninguém, mas um bem comunitário
por excelência. Sendo este o maior factor de aumento da produção
moderna. Suprimindo a força motriz do nuclear, da electricidade, do
petroleo- invenções dos ultimos séculos qual seria a produção total
de todos os efectivos obreiros do país? Sem dúvida, é preçiso ainda produtores
para por este capital em rendimento, que serao recompensados pelos seus
salários. Mas o capital ele mesmo deve valorizar os dividendos aos seus
proprietários, portanto a todos os cidadãos, todos em igualdade
coherdeiros das gerações passadas. Visto que o capital comunitário é o maior
factor da produção moderna, o dividendo deveria ser capaz de oferecer
a cada um ao menos de munir as necessidades essênciais à existência.
Depois à medida que a mecanização, a motorização, a automatização,
tomem um lugar cada vez mais preponderante, na produção, o labor
humano será menos evidente, e a parte distribuda pelo dividendo deverá
tornar-se mais substancial. Eis outra maneira de conceber a distribuição
da riqueza, que a de hoje. Em lugar de deixar as pessoas e as famílias
na miséria, ou de taxar aquelas que ganham par vir em socorro daquelas
que já não são preçisas na produção, veria-se toda a gente
assegurada de um rendimento básico pelo dividendo,. Melhor repartição
dos bens comuns à origem. Seria ao mesmo tempo um meio, mais bem
apropriado às grandes possibilidades produtivas modernas, de realizar
na prática o direito de todo o ser humano ao uso dos bens materiais.
Direito que cada pessoa tem, pelo simples facto de sua existência.
Direito fundamental e imprescritível, que Pio XII lembrava na sua histórica
rádio- mensagem do 1' de junho de 1941: "Os bens creados por Deus foram-no e
devem estar à disposição de todos, segundo os principies da justiça
e da caridade. Todo homem, em tão que ser doado de raciocíno, tem pelo
facto da natureza o direicto fundamental de usar dos bens materiais da
terra... Um tal direito não podera ser suprimido de alguma maneira,
mesmo no exercício de outros direitos certos e reconhecidos sobre os
bens materiais." Um dividendo a todos e a cada um: Eis aqui
bem a formula económica e social a mais radiante que jamais foi
proposta a um mundo cujo problema já não é de produzir, mas de
distribuir os produtos. Não
um partido politíco Numerosas pessoas, em varios paises aqueles
que vêem no Crédito Social de Douglas aquilo que foi proposto de mais
perfeito para servir a economia moderna de abundância, e para pôr os
produtos ao serviço de todos. Resta a fazer prevalecer este concepto de
economia, para que ele se torne uma realização na prática. Infelizmente, no Canada, homens políticos
desonraram as duas palavras "Crédito Social" em as tomando
para designar um partido político. Foi o maior erro jamais feito à
compreenção e à expanção da doutrina de Douglas. Tornando-se uma
fonte de confusão e uma causa de desconfiança. Muita gente recusa à
priori . de ouvir falar do Crédito Social porque vêem em ultimo plano
um partido político, quando jà eles deram a sua fidelidade a outro
partido. No entanto, o Crédito Social, autêntico, não
é de modo nehum um partido político. É exactamente o contrário. O
fundador mesmo da escola créditista, C.H. Dougias, conhecia certamente
melhor a sua doutrina do que ninguém; infinitamente melhor sobretudo
que esses cabeçudos que querem servirse da ideia superficial que eles têm
para tentar satisfazer as suas ambições políticas. Ora, Douglas
declarou redondamente que entre o Crédito Social e a políca eleitoral
há incompatibilidade. Partido político e Crédito Social são dois
termos que se excluem um au outro, pela sua própria natureza, pelo seu
objectivo, o seu motor, o seu espírito. Os princípios do Crédito Social repousam sobre uma filosofia. E esta
filosofia dá prioridade à pessoa sobre o grupo, sobre as instituições,
sobre o governo ele próprio. Toda a actividade feita em nome do Crédito Social autêntico
deve ser uma actividade ao serviço da pessoa. É toda uma outra engrenagem que anima e
orienta as actividades de um partido político. Todo o partido político, novo ou antigo, tem
por primeiro objectivo de conquistar ou de conservar o poder, de vir ou
de ficar o grupo que governará o País. É a busca do poder para seu
campo. O Crédito Social pelo contrário, concebe o
poder redistribuindo a todos: o poder economico, por um dividendo periódico,
permitindo a cada indivíduo de passar das encomendas à produção do
seu país; o poder político, em fazendo do Estado, governos a todas as
escalas, a coisa das pessoas, e não as pessoas a coisa do Estado. É o governo que interessa aos partidos políticos.
Enquanto que é a pessoa , o desabrochar da pessoa, que interessa ao
verdadeiro créditista. A Política de partido leva os cidadãos a
abdicar das suas responsabilidades pessoais, pondo toda a importância
sobre o voto, num acto de algums segundos, que o cidadão executa no
momento do voto, depois de ter sido servido de guisado eleitoral, a
todos os molhos durante quatro semanas... O Crédito Social, ao contrário, ensina aos
cidadãos a tomarem eles próprios as suas responsabiliades, tanto em
política como no resto, e a todo tempo, fazendo-se a vigilância e a
consciência dos governos, clamando a verdade e denunciando as injustiças,
sem trégua, onde quer que elas se encontrem. Todos os partidos políticos contribuem a
dividir o povo, lutando uns contra os outros à procura do poder. Ora,
toda a divisão enfraquece. Um povo dividido, enfraquecido, se faz mal
servir. A doutrina do Crédito Social, ao contrário,
rende os cidadãos conscientes das aspirações fundamentais comuns a
toda a gente. Um movimento créditista autêntico ensina aos cidadãos a
se unir aos pedidos sobre os quais todos concordam, e a fazerem, se
necessário, pressões consultadas sobre os governos, independente da
equipa no poder. E por isto que o jornal "Vers Demain", do
qual estas páginas foram tiradas, recomenda em política a pressão do
povo, agrupado fora dos parlamentos, mas agindo sobre os governos, afím
de fazer os eleitos do povo legislar no senso do Crédito Social. Para fazer prevalecer as grandes ideias, como
a bela concepção créditista da economia, é preçiso: não políticos
ávidos de gloríola e de dinheiro, mas de apóstolos que se dêem sem cálculo,
não tendo em vista que o triunfo da verdade e dum mundo melhor para
todos; apóstolos desligados de todas as recompensas materiais, fazendo
todo o seu possível pela causa empreendida, e pelo resto, colocando-se
sob as mãos de Deus. O jornal "Vers Demain" trabalha a formar tais apóstolos. O jornal 'Vers Demain' representa seus objectivos, suas actividades e suas realizações. Louis EVEN
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